Hoje terminei de construir algo muito importante pra mim.
Fiz um marco marciano na minha vida, um lugar comum só meu, onde flutuo, um deserto vermelho sem garoa.
Construi o meu marco na certeza que ninguém, cibernético ou humano poderia romper as minhas guardas nem achar qualquer falha no meu plano.
O meu marco tem rosto de pessoa, tem ruínas de ruas e cidades, muralhas, pirâmides e restos de culturas, demônios, divindades.
A história de Marte soterrada pelo efêmero pó das tempestades.
Construi o meu marco gigantesco num planalto cercado por montanhas, precipícios gelados e falésias, projetando no ar formas estranhas como os muros Ciclópicos de Tebas e as fatais cordilheiras da Espanha.
E na praça central, um monumento embeleza meu marco marciano:
Um granito em enigma recortado pelos rudes martelos de Vulcano: uma esfinge em perfil contra o poente, guardiã mortal do meu arcano.
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