domingo, 29 de novembro de 2009

Eu tenho me sentido muito mal vendo minha capacidade de amar sendo destroçada, proibida, impedida.

Por circunstâncias, por distâncias.

Por medidas, por pessoas, pela vida.

Do fundo do meu coração maltrapilho, eu sinto muito, muito mesmo não poder estar mais perto ou até mesmo, ficar perto, pra sempre.

Por quê isso invariavelmente, acontece comigo? Por quê me deixo levar por sensações que nem sei se vou poder concretizar algum dia?

Sim, parece que você sabe tudo que eu gosto de ouvir, sentir. Comigo tem a mesma profundidade.

Fico imaginando como seria o toque, o cheiro, a respiração, o olhar ansioso, de ambas as partes ...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dias de sentimentos confusos e pouca vontade de mudar o mundo. O meu. Deve ser o calor que  toma conta da cidade e provoca emoções desencontradas. Ouço um grupo de acordes melancólicos, noruegueses, distantes. Som que traz aguda sensação de nostalgia, prazer nos tons pálidos. É isso. Não me acerto com o sol.

Dias complicados. Casos de doença na família, problemas que parecem insolúveis no trabalho.

Releio o clássico de Jens Peter Jacobsen, Niels Lyhne, e me compadeço de sua angústia com o fim do amor (princípio de tudo?): "-E de mim, você se esqueceu?"

Sexta-feira, calor, risada. Fico em casa e espero pronta para começar mais um dia como tantos outros. Louca por respostas, definições, desembaraço.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009







 



 



 



Vou fingir para todos do The Sunday Times
Vou fingir para todos das canções de ninar
Que nunca realmente parecem querer dizer a verdade.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

tumores emocionais.

Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe.

Talvez tudo, talvez nada.

Esses escritos de Caio mexem muito comigo nesses últimos dias.

Tenho pensado em tanta coisa que me aconteceu, tanta coisa que não aconteceu por que simplismente não quis mais me dar ao luxo de viver uma vida que não é minha. E isso tudo não é ironia, é a minha realidade, que eu preferia que não fosse minha, juro.

Quero voltar a enconstar a cabeça no travesseiro, dormir e sonhar com coisas boas. Ultimamente deito, custo a pegar no sono e quando o faço, tenho sonhos que mais se parecem com profecias que vão se realizar na minha vida, das piores formas possíveis.

Sonho também que estou presa em um quarto minúsculo, onde eu só caibo em pé, e que todas as paredes são brancas.

As paredes, o teto, o chão, minhas roupas, tudo branco, como se eu nunca tivesse visto nada de outra cor, como se meus olhos fossem arder se eu visualizasse outras cores.

Esse sonho doido me deixa com duas impressões. A impressão de que não tenho escolhas e a impressão que estou irremediavelmente, presa a algo que nunca vai mudar, vai ser sempre branco.

Durante o sonho que estou no quartinho, coloco minhas mãos contra a parede, meu rosto cola nela também, mas não sinto calor ou frio. Não sinto nada, e isso me apavora.

Não gosto de não sentir... parece que isso me deixa tão imune, tão nua, tão crua, vulnerável. Morro de medo disso. As pessoas não podem saber o que tenho por dentro, por isso mantenho sempre comigo, minha capa de invisibilidade e tomo sempre o cuidado de ninguém, nunca, em hipótese alguma, consiga  arrancá-la de mim.

Enquanto fico contra a parede, penso que minha vida se transformou mais ou menos nisso. No quarto minúsculo de paredes brancas e tudo o mais que acontece nele. Sem escolhas pra fazer, sem muitas cores diferentes, sem sentir frio ou calor, vivo no marasmo.

Não posso ser uma pessoa forte o tempo todo. Não sou de plástico, por mais que eu seja alegre, bem humorada, tenho os meus tumores emocionais também, e claro, tem dias que eles incomodam mais que o normal.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Nossos abraços. Talvez seja apenas isso. A memória do beijo. O aconchego de há pouco. Queria parar o mundo. E trazer você de volta... trazer você pra perto. Deixa eu causar inveja? Deixa eu causar remorsos?

Nos seus, nos meus, nos nossos...

 



Ao fundo, Sympathize, Amos Lee.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

E tudo que eu queria era a tal pausa de mil compassos, da qual falou Mestre Paulinho da Viola. E tive. Mais um final de semana longe do blog, me fez pensar nos motivos que me levam a escrever aqui . É que vez-em-quando a palavra escrita tem essa capacidade de revelar pra nós mesmos o que acontece no entorno. Explico: o mundo gira tão depressa com o seu “grande poder” que perdemos um pouco a capacidade de reflexão. Tudo (o olhar, o ouvir, o sentir) se contamina com a urgência do tempo, que não mais permite o fôlego pós-mergulho.

Pretendo  deixar  meu atual emprego. Recomeçar. E como eu gosto disso, dessa possibilidade de alterar as coisas do lugar de sempre, mudar o trajeto, a rotina, os horários. Nesse último mês, aproveitei ao máximo cada momento.  Nenhum novo amor, nenhuma grande revelação. Alguns filmes e livros, muitas músicas. Boas gargalhadas, pouco choro. Sem grandes farras ou fugas, ficou a vontade de tomar suco de fruta de manhã cedinho, lendo poesia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Como pode a gente combinar em tudo, hein?

É incrível como eu olho pra você e me vejo, me confundo com você.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O chão se abre e se fecha cada vez que penso em continuidade. Nunca fui boa com os finais. Lembra? Pra mim eles são sempre desiguais.

E agora fico à mercê do tempo. Logo do tempo. E da misericórdia dos dias melhores que ainda virão.