quinta-feira, 23 de julho de 2009

Fico tão cansada às vezes, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. E paro, fico horas sem pensar absolutamente nada.
Claro, é preciso julgar a si próprio com o máximo de rigidez, mas não sei se você concorda, as coisas por natureza já são tão duras para mim que não me acho no direito de endurecê-las ainda mais.
É quando então mergulho no cheiro que já defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva pra Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta, mostrando que agora está tudo bem, tudo bem.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Dez necessidades, em ordem aleatória, daqui por diante:

1) ter uma garrafa de água mineral grudada ao corpo 24h
por dia;

2) ouvir sua voz ou receber seu e-mail ou rever sua
foto, sempre que o peito doer fundo, como agora;

3) lembrar, com ternura, de todas as melodias e vozes e
momentos inesquecíveis vividos juntos nos últimos dias;

4) arrumar um jeito de ajustar receita e despesa ou
arrumar um jeito de ganhar mais dinheiro e deixar de ser
perdulário;

5) caminhar mais e deixar de fazer tudo 'motorizado';

6) cuidar mais ainda de mim;

7) lembrar de fazer de novo aquela sessão 'filme/beijinho/lareira/pipoca/edredon/filme e dizer pra quem quiser duvidar que isso é um pedaço de paraíso;

8) acalmar meus ânimos, serenar minha alma, saber que o
seu olhar estará sempre comigo: aqui, acolá, em qualquer
tempo e espaço;

9) ouvir cada dia mais os sambas antigos e novos, o
blues, o jazz, o rock, a música popular... deixar pulsar em
mim os sons, sejam eles quais forem;

10) fazer da literatura e do cinema meus bons
companheiros, enquanto não durmo, enquanto te espero...
tirando qualquer "tom de desespero", cultivando a harmonia,
abrindo portas pra alegria...

sábado, 18 de julho de 2009

Deixo o fim de semana escorrer com esse texto, que é uma 'micro auto-biografia', que eu ainda estou tecendo, e isso implica dizer que ela ainda pode voltar a ser postada, com alterações, exclusões e adições.
Não me peça de onde sai o que eu escrevo; as palavras simplismente saem no bloco de notas como se uma mão imaginária me guiasse.

Não escolhi ser uma pessoa comum. É meu direito ser diferente, ser singular, incomum, desenvolver os talentos que Deus me deu. Não desejo ser uma cidadã pacata e modesta, dependendo sempre de alguém. Quero correr o risco calculado, sonhar e construir, falhar e suceder. Recuso trocar o incentivo por doação. Prefiro as intemperanças à vida garantida. Não troco minha dignidade por ajuda de outros. Não me acovardo e nem me curvo ante ameaças. Minha herança é ficar ereta, altiva e sem medo; pensar e agir por conta própria e, aproveitando os benefícios da minha própria criatividade, encarar arrojadamente o mundo e dizer: ISTO É O QUE SOU.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

E, no entanto, ser incompreendido é o destino de todos aqueles que se parecem comigo. Não sigo padrões, não tenho rótulos, não "faço média", não repito comportamentos, não sigo a massa.
Afrontando o mundo de uma maneira divergente. Tenho a capacidade de observar fatos que os "insiders" não percebem. Sou capaz de compreender, sistematizar a superestrutura da sociedade e as relações pessoais e sociais; diante desse sistema insatisfatório, crio meu espaço particular e construo vinculações lógicas incompreensíveis para os insiders. Às vezes esta capacidade não me leva ao contentamento. Mesmo utilizando, pois, das artes para dar vazão ao que vejo e sinto, sei que estou fora do mundo, não pertenço a ele, minha vida está irremediavelmente longe do cotidiano das pessoas normais, grande exército de INSIDERS. Solidão quase absoluta (mesmo cercado de amigos), dificuldade para relacionar-se com as regras e estruturas da sociedade (mesmo as mais simples).
Eu não vou me adaptar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Esta na hora de parar de ser vitima, de buscar o que deseja, não deixar fugir a oportunidade, erguer a cabeça pra dificuldade, parar de ferir quem te quer, parar de sofrer pelo que não é, parar com o negativismo, acreditar no infinito, sorrir pelo que hoje se possui, parar de temer pelo amanha, comer com casca a maçã, acordar logo pela manhã.. só pra olhar pro céu, é hora de romper o véu, que antes escondia a paz, é hora de querer bem mais..
hora de acreditar, sonhar, correr e alcançar..
o tempo passa muito depressa, é hora de viver o que resta, sem medo de se arriscar, sem medo de sofrer, perder e chorar.
aprender que mesmo perdendo se ganha, ter mais fé, otimismo, esperança..
abrir os olhos pro belo escondido, dizer doces palavras acreditando nisso;
viver de bruxaria, feitiçaria branca, ser feliz como é uma criança, simplicidade pra enxergar que o abismo, não existe pra que seja um amigo.. aprender, aprender, conciliar alianças, colocar numa balança, a certeza e o caminho..
ser forte, ser fiel, ser de verdade, mas antes ser assim consigo mesmo.
pedir desculpas atraves de beijos, olhar nos olhos dos verdadeiros com sorrisos.

é hora de se entregar a um labirinto,pois, a vida sempre será isso.. e pensar demais nos rouba todo tempo preciso, pra viver um sonho inesquecível!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Nesse mundo estranho, tenho lá minhas particularidades. Mas acontece que supero de longe a esquisitice do mundo ao nascer paralelamente a qualquer outra existência. Nasci como se a natureza, entediada, desenhasse uma ironia viva que anda e fala.
Sou possuidora-de-mundos.
Por uma contingência uterina inexplicável, nasci com uma sensibilidade desgraçada que mostra sua presença em cada instante dos meus estranhos dias e de minhas meditativas noites. É em mim que a gente de outra estirpe põe apelidos, acha estranha, esquisita. Sou uma “the freak” do mundo.
Vivo com uma constante sensação de deslocamento que não passa por mais que eu queira e parece que quanto mais resisto,mais evidente se torna completo o isolamento. Posso até ficar alegre, enturmada,parecendo “normal”, mas eu sei que sou diferente.
O mundo inteiro pode ter sobre mim uma opinião que passa a km do que eu vejo dentro de mim. É por isso que sempre causo espanto a toda gente e mesmo às pessoas mais próximas costumam me dizer coisas do tipo: “eu não sabia que você era assim...”. Eu escuto muito disso. Não importa como tenha sido meu dia e minha noite, cedo ou tarde, quando eu me deito e apago a luz eu a encontro novamente. Encontro o que? A solidão.
Nas noites, nos bares e nas festas pode-se flagrar-me por um instante ensimesmada, pensativa, melancólica. Quando me percebo olhada, me endireito e se me perguntam se tenho alguma coisa eu sempre nego, dou um sorriso e mudo de assunto. Mas não importa o que pareço ser para o mundo inteiro.
É como se sobre mim tivesse caído uma praga de isolamento existencial. Essa mágoa da solitude, que não me abandona nunca, é algo que a maioria deles não entende. Sei apenas que ela existe e que vive a me incomodar, a ferir-me e por isso talvez digo como Camões disse:

'Que dias há que n’alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei por quê.'

Tenho na alma um abismo grande, largo, profundo e que parece não ter fim. Por causa disso tenho uma alma grande, larga e profunda o bastante para acomodar esse abismo e por causa desta grandeza,desprezo as mesquinharias e os sentimentos pequenos.
Aspiro às emoções elevadas porque são elas as únicas que me enchem a alma e de algum modo suprimem a falta que eu sinto. Assim, não é difícil entender porque eu possuo grandes sentimentos e porque vivo as grandes paixões! Sou possuidora-de-mundos porque os mundos que carrego comigo, são mais vastos e mais tempestuosos que o real. É incrível como toda essa grandeza ainda não é o bastante! Quando amo, a metáfora da cara-metade jamais pode ser tão bem empregada do que quando se aplica a mim. A minha vida é um poema vivo, é uma sinfonia em plena execução.
Possuo algo de poético e de sublime em minha existência encravada no meio do mar da normalidade trivial. E sou incompreendida. Sempre, sempre incompreendida como o foi Van Gogh, com certeza um deles. Ninguém vê a poesia personificada nestes meus espíritos inquietos, às vezes nem mesmo eu. Todos acham poéticas as vidas de Van Gogh, de Virginia Wolf, de Quental, de Chopin ou de Nietzsche... mas Van Gogh trocaria sua vida pela de Théo, Virginia pela de Vanessa, Quental pela de Castilho, Chopin pela de Litz e Nietzsche, apesar do Ecce Homo, pela de Peter Gast. São as vidas e as coisas belas que ninguém quer ter... a velha história da faca de dois gumes.
É por muito me sentir deslocada que eu virei andarilha, procurando debaixo de cada pedra de calçamento um poema, em cada acontecimento uma história, dentro de cada pessoa uma música. E é aí que sinto as grandes paixões. Minha imaginação trabalha a 48.900 rotações por minuto. Eu idealizo, mesmo que não quero, eu idealizo. Mais que isso: eu vivo minhas idealizações. Simplesmente não dá pra evitar. Carrego alguma coisa de infinito nos olhos, sou aquela que você sente o coração bater mais forte quando me abraça, sou a que pareço por a paixão de uma vida inteira num beijo, sou a que coloca tal poesia no dia-a-dia, que quando amo e sou amada,me contento com tão pouca coisa fora de minha paixão que se diria que posso viver dela. Se por um lado tenho alguma mágoa, por outro sou a mais feliz do mundo quando amo, pois somente assim respiro a plenos pulmões. Mas o problema é que a única pessoa que soluciona minha mágoa é a da qual eu mesma sou a solução... é uma pessoa igual a mim... é um possuidor-de-mundos. E eu, para desgraça de mim mesma, sou rara, muito rara.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Nessa coisa de buscar a verdade, ninguém quer encontrar a do outro. Todos estão brincando de telefone mudo.
Sendo isso, portanto, tudo o que a humanidade anda fazendo solta pelas ruas:correndo da verdade.
Resultado: em mil celulares, mil mentiras. Em mil cadernos culturais, mil unanimidades. Em mil almoços, mil assuntos. Em mil reuniões, mil bobagens. Em mil palavras, mil simbologias. Todos se cagando de medo. Fechados para balanço. Todos com um medo desgraçado de, virando uma esquina, ou uma página, dar de cara com a verdade alheia. Todos com um medo danado de vibrar amor.
Não posso mais roer os nervos enquanto as horas passam e você não aparece. Preciso me poupar. Nem mais pretendo sofrer, depois, quando você sumir de vez. Sofrer por amor é pura vaidade. Vou olhar para retratos meus e, de novo, sentirei orgulho de mim. Fotos minhas antes de você. Quando eu ainda não tinha provado desse seu veneno vicioso. Da saliva que se fez heroína. Do cheiro que se fez lança-perfume.
Deveria ter uma tabela antipaixão como a que fizeram para os tabagistas. Macaríamos um X nas vezes que pensássemos no outro. Assumindo a nossa fraqueza. Contando as horas em que fôssemos capazes de esquecer.

sábado, 11 de julho de 2009

Houve um tempo em que acreditei que podia olhar para as nuvens, para o céu e mudar o lugar e as pessoas, acreditei que podia olhar para baixo de novo e já não estaria no mesmo lugar nem entre os mesmos, já não seria a mesma, porque o céu e as nuvens são iguais em toda parte e para qualquer um, achei que bastava olhar para as nuvens passando e depois imaginar que não era eu nem aquele lugar, que bastava olhar para o alto para acordar de novo.
Guardei essa crença como um segredo que só deveria ser aplicado em último caso, quando não tivesse mais nenhuma saída, mas um dia deixei de acreditar, e no dia em que finalmente precisei olhar para cima, percebi que já não acreditava.
Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só queria ter o que eu tivesse sido e não fui, mas ultimamente tudo tem tomado um rumo diferente, e confesso que tenho gostado disso.
Tenho gostado de como meus dias amanhecem e como minhas noites terminam, estou mais serena, mais convicta do que realmente quero daqui pra frente e as circunstâncias tem me ajudado muito nisso.
Não que eu esteja numa maré de coisas boas, nem sempre dá certo, mas na medida do possível tô conseguindo remediar, afastar, mudar o que não sai da forma que eu esperava.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Hoje terminei de construir algo muito importante pra mim.

Fiz um marco marciano na minha vida, um lugar comum só meu, onde flutuo, um deserto vermelho sem garoa.
Construi o meu marco na certeza que ninguém, cibernético ou humano poderia romper as minhas guardas nem achar qualquer falha no meu plano.
O meu marco tem rosto de pessoa, tem ruínas de ruas e cidades, muralhas, pirâmides e restos de culturas, demônios, divindades.
A história de Marte soterrada pelo efêmero pó das tempestades.
Construi o meu marco gigantesco num planalto cercado por montanhas, precipícios gelados e falésias, projetando no ar formas estranhas como os muros Ciclópicos de Tebas e as fatais cordilheiras da Espanha.
E na praça central, um monumento embeleza meu marco marciano:
Um granito em enigma recortado pelos rudes martelos de Vulcano: uma esfinge em perfil contra o poente, guardiã mortal do meu arcano.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Não me perturbe com falsos pudores. Prefiro o galanteio barato que vem junto com o ar blasé de quem se habitua a um vício. Não me culpo mais pelas incertezas. Hoje acordei cedo e fiz um chá. Depois inventei um conto sem palavras, todo bordado na minha imaginação. Apaga o cigarro? Tô ficando chata com a maturidade. Confundo nomes, esqueço chaves. Me engano fácil com algumas delicadezas. Só algumas.

Essa noite sonhei que tudo estava diferente. Que a janela havia sido consertada, que as paredes do estúdio estavam pintadas de branco como num toque de mágica. Mas acordei com um frio de sete graus e a tampa da privada levantada. Você sabe me irritar. Assim como sabe fazer aquela omelete única com queijo barato derretido e um quê de cebolinha picada bem fininha.

Quero voltar a dormir a noite inteira, sem precisar dos comprimidos que me oprimem o corpo todo no dia seguinte. Queria esquecer que existe uma garrafa de gim atrás da estante, onde escondo tantos outros pequenos segredos: uma xícara antiga com a asa quebrada, nosso retrato rasgado num momento de fúria e até algumas lágrimas que saíam dos olhos direto para as páginas de certos livros.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Primeiro post, blog novo.

Eu sempre paro; sempre fico quieta.
Sou uma pessoa absolutamente atormentada. E, por isso, as vezes, não me suporto.
O fato é que nunca consegui entender porque a gente não supera certas coisas.
Mas é a sina.É o preço a pagar por sermos filhos de uma lógica incompleta que defende criadores sem criação.Sequer lembro o dia em que tudo passou a ser desse jeito.
Ando sempre de costas para o mundo.
Minha vida resume-se a uma montanha russa de descasos.
Nada faz sentido.Não me cabe a absolvição, a passividade à vida sem paixão.
Nem que seja paixão pela queda; nem que seja paixão pelo nada.
Eu sou o avesso de eu mesmo e meus olhos queimam em descrenças. Eu já me decepcionei o suficiente com as pessoas pra me importar com o que elas pensam ou não sobre o que sobra de minha vida.
Eu acho que tem muito mais sujeira nas pessoas do que nas calçadas. Sério... Acho mesmo.
É estranho pensar assim. Muita coisa perdeu o sentido pra mim.
E essa perda não foi nada suave.
Enfim...A gente cresce com a idéia de que tem que acreditar em alguma coisa, mas não imagina que a maior certeza de nossas vidas é que essa coisa, qualquer que seja ela, vai ser arrancada da gente sem piedade, ou a gente será arrancada dela.
E é assim que a gente se torna adulto, ou que acaba nossa vida, e que se acaba nossos sonhos.Talvez a resposta de quem seja nós esteja perdida entre a razão e a inocência. Talvez a resposta de quem seja nós seja vazia como o olhar seco entre os lírios. Talvez a resposta não exista. É talvez todo o tempo que buscamos respostas tenha servido apenas para preencher a falta de sentido em abrir portas que sempre levam aos mesmos quartos estéreis.
Talvez usamos respostas falsas para fugir da certeza de que não há nada além do nada... Nada além da busca pela resposta.
Nada além das misérias que se conta entre os olhos que se prendem frente ao espelho.