"Nossos versos não são banais..."
Dia desses revi parte do acervo. Imenso. Uma história contada ora em branco e preto ora em colorido de mil tons. Mutantes, os meninos do Clube da Esquina... Chico.
Depois fui ler os escritos. Dias e dias passados a limpo com letra tão caprichada, diferente da minha. Ontem, o lírio perdeu algumas flores e ganhou outras. Enfeita a cena dos próximos capítulos. E eu me vejo, de novo, irremediavelmente encantada com as minhas contradições.
P.S.: pq têm dias em que não precisamos muito de entendimento. Viver, como ela disse, ultrapassa... e o sol brilha forte agora... e eu estou feliz, como há tempos não ousava... só isso!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Me vejo cercada por livros sobre Virgínia Woolf e o Grupo de Bloomsbury. Durmo e acordo mirando sua foto, aos 40 anos, na capa da histórica biografia escrita por seu sobrinho, Quentin Bell, traduzida por Lya Luft para a Editora Guanabara.
Acho que eu tinha 12 anos quando li pela primeira vez... desde então, vez-em-quando, tenho surtos bloomsburianos e releio quase tudo que tenho dela... as cartas íntimas trocadas com Vita Sackeville-West, em volume publicado pela editora portuguesa Colares, a seleção feita a partir de seus diários por José Antonio Arantes e, principalmente, suas ficções (acho que ao todo li seis livros de Virgínia W., mas só nos últimos dias reli Orlando e The Waves, dois dos meus preferidos, junto a The Voyage Out e To the Lighthouse).
Nos últimos tempos li também A Casa de Virgínia W., um misto de ficção e documento escrito por Alicia Giménez Bartlett . Agora estou na metade do volume Bivar na Corte de Bloomsbury, de Antonio Bivar.
Trata-se de um relato delicioso das experiências do brasileiro na Inglaterra durante a Summer School e os festivais, verdadeiras celebrações em torno do grupo, que acontecem em Charleston Farm (foto), reduto de Vanessa Bell e Duncan Grant, a partir de 1916, mas que também abrigou Maynard Keynes, Clive Bell e tantos outros. Oportunidade de conhecer detalhes das peripécias de Lytton Strachey e Dora Carrington, Lady Otoline Morrel, excêntrica e apaixonada, assim como Roger Fry (crítico instigante, autor de Visão e Forma) e mais informações sobre os queridos Quentin e Anne Olivier Bell.
Sim, ando mergulhada na atmosfera de Bloomsbury pra esquecer tanta coisa... doença na família, problemas com o computador, falta de trabalho, pontadas esquisitas no peito cada vez que... depois brinco de casinha inglesa, tomando chá no fim da tarde (mesmo com o calor infernal que faz essa semana) e exercitando certa flêuma necessária em tempos assim, repletos de indefinições. Antes que eu esqueça: o livro de Bivar não trata apenas das impressões de suas temporadas na Inglaterra... através de uma linguagem sempre fiel aos "apontamentos de diário", ele nos apresenta uma série de referências únicas, da literatura às artes plásticas, da geografia e história à gastronomia. Trata-se de um verdadeiro mergulho em águas profundas que me encanta cada vez mais...
Acho que eu tinha 12 anos quando li pela primeira vez... desde então, vez-em-quando, tenho surtos bloomsburianos e releio quase tudo que tenho dela... as cartas íntimas trocadas com Vita Sackeville-West, em volume publicado pela editora portuguesa Colares, a seleção feita a partir de seus diários por José Antonio Arantes e, principalmente, suas ficções (acho que ao todo li seis livros de Virgínia W., mas só nos últimos dias reli Orlando e The Waves, dois dos meus preferidos, junto a The Voyage Out e To the Lighthouse).
Nos últimos tempos li também A Casa de Virgínia W., um misto de ficção e documento escrito por Alicia Giménez Bartlett . Agora estou na metade do volume Bivar na Corte de Bloomsbury, de Antonio Bivar.
Trata-se de um relato delicioso das experiências do brasileiro na Inglaterra durante a Summer School e os festivais, verdadeiras celebrações em torno do grupo, que acontecem em Charleston Farm (foto), reduto de Vanessa Bell e Duncan Grant, a partir de 1916, mas que também abrigou Maynard Keynes, Clive Bell e tantos outros. Oportunidade de conhecer detalhes das peripécias de Lytton Strachey e Dora Carrington, Lady Otoline Morrel, excêntrica e apaixonada, assim como Roger Fry (crítico instigante, autor de Visão e Forma) e mais informações sobre os queridos Quentin e Anne Olivier Bell.
Sim, ando mergulhada na atmosfera de Bloomsbury pra esquecer tanta coisa... doença na família, problemas com o computador, falta de trabalho, pontadas esquisitas no peito cada vez que... depois brinco de casinha inglesa, tomando chá no fim da tarde (mesmo com o calor infernal que faz essa semana) e exercitando certa flêuma necessária em tempos assim, repletos de indefinições. Antes que eu esqueça: o livro de Bivar não trata apenas das impressões de suas temporadas na Inglaterra... através de uma linguagem sempre fiel aos "apontamentos de diário", ele nos apresenta uma série de referências únicas, da literatura às artes plásticas, da geografia e história à gastronomia. Trata-se de um verdadeiro mergulho em águas profundas que me encanta cada vez mais...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Tem dias que bate saudade. Da voz no ouvido, da trilha sonora, das fotografias, do violão. Saudade daquele adeus não dito. Lembra?
Você e eu... lá... era o alto, o silêncio, as estrelas pontilhando a noite escura. Cúmplices, em dueto. Eu imaginava que seria pra sempre sua. E sou. Leio nossos horóscopos todos os dias. Prevejo, antevejo e beijo as cartas.
"Serás o meu amor... serás a minha paz..."
Você e eu... lá... era o alto, o silêncio, as estrelas pontilhando a noite escura. Cúmplices, em dueto. Eu imaginava que seria pra sempre sua. E sou. Leio nossos horóscopos todos os dias. Prevejo, antevejo e beijo as cartas.
"Serás o meu amor... serás a minha paz..."
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Caríssima,
como te disse uma vez, vivo de presságios. Essas semanas têm sido corridas, com muita coisa acontecendo. Mas ainda teimo em arranjar tempo de olhar pro céu. E o céu acaba nos contando tantas coisas. Hoje mesmo saí antes das sete da manhã de casa. Céu cinza, nuvens descuidadas.
Em dias assim vêm à cabeça pensamentos esquecidos. Vontade de retomar planos, juntar palavras de dentro e de fora, buscar simplicidade. Não temer as frases feitas nem os sentimentos desencontrados.
Já se permitiu desejos assim, Clarice? De voltar no tempo e aproveitar dele só as coisas boas? De adiantar o tempo e viver nele tudo que for realmente significativo? Olhar para o presente e lembrar de agradecer tudo: plenitude, serenidade, harmonia.
Ando assim. Como esses trovões e relâmpagos do meio da tarde. Tentando lembrar a última vez que me senti realmente amada, desejada, querida. Tentando colar todos os fragmentos e reunir minha história num único enredo: feliz, raro, meu de fato.
como te disse uma vez, vivo de presságios. Essas semanas têm sido corridas, com muita coisa acontecendo. Mas ainda teimo em arranjar tempo de olhar pro céu. E o céu acaba nos contando tantas coisas. Hoje mesmo saí antes das sete da manhã de casa. Céu cinza, nuvens descuidadas.
Em dias assim vêm à cabeça pensamentos esquecidos. Vontade de retomar planos, juntar palavras de dentro e de fora, buscar simplicidade. Não temer as frases feitas nem os sentimentos desencontrados.
Já se permitiu desejos assim, Clarice? De voltar no tempo e aproveitar dele só as coisas boas? De adiantar o tempo e viver nele tudo que for realmente significativo? Olhar para o presente e lembrar de agradecer tudo: plenitude, serenidade, harmonia.
Ando assim. Como esses trovões e relâmpagos do meio da tarde. Tentando lembrar a última vez que me senti realmente amada, desejada, querida. Tentando colar todos os fragmentos e reunir minha história num único enredo: feliz, raro, meu de fato.
domingo, 18 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Quase sem querer, ouvi coisas antigas hoje. E também revi pessoas de um passado que julgava resolvido.
Estar na casa da mãe tem dessas nostalgias. Café da manhã com bolo, quarto sempre arrumado, toalhas muito, muito limpas, plantas e flores até onde o olhar acompanha... tem também doce em calda, olhares cuidadosos, mãos delicadas... mas existem também abismos... hoje, depois de tanto tempo, ouvi canções que me lembram o último amor... aquele que tocou tão fundo que depois do fim fez meu coração ficar frio.
Não consigo mais sentir... simplesmente não consigo. Estou seca, morna, sem vontades... saio, vejo, toco, olho... as pessoas se aproximam, sorriem, eu retribuo...
-Oi! Tudo bem?
-Tudo, e você?
-Tudo bem, você é daqui? Nunca ti vi por aqui?
-Eu? Sou... é que eu tava fora... voltei... muito prazer...
E não consigo nada além de ser agradável, correta, cordata.
Me sinto uma estranha em jantares entre amigos. Falo de canções antigas que ninguém mais ouve, de sambas-canções que só tocam no meu coração... e meu beijo... bem, meu beijo mais parece de plástico, sem qualquer emoção ou viço... perdi a vontade de ser... e não faço dramas... quero apenas retomar o contato com meus pedaços... quero rir sempre, como sempre fiz... e não esquecer os caminhos.
Hoje fiz uma coisa feia! Visitei um blog, fui a uma rua, quebrei uma promessa. Parece letra da Calcanhoto, mas não é. É a minha vida. Repleta de clichês, frases feitas, canções melosas. Mas com uma incrível vontade de acertar.
Estar na casa da mãe tem dessas nostalgias. Café da manhã com bolo, quarto sempre arrumado, toalhas muito, muito limpas, plantas e flores até onde o olhar acompanha... tem também doce em calda, olhares cuidadosos, mãos delicadas... mas existem também abismos... hoje, depois de tanto tempo, ouvi canções que me lembram o último amor... aquele que tocou tão fundo que depois do fim fez meu coração ficar frio.
Não consigo mais sentir... simplesmente não consigo. Estou seca, morna, sem vontades... saio, vejo, toco, olho... as pessoas se aproximam, sorriem, eu retribuo...
-Oi! Tudo bem?
-Tudo, e você?
-Tudo bem, você é daqui? Nunca ti vi por aqui?
-Eu? Sou... é que eu tava fora... voltei... muito prazer...
E não consigo nada além de ser agradável, correta, cordata.
Me sinto uma estranha em jantares entre amigos. Falo de canções antigas que ninguém mais ouve, de sambas-canções que só tocam no meu coração... e meu beijo... bem, meu beijo mais parece de plástico, sem qualquer emoção ou viço... perdi a vontade de ser... e não faço dramas... quero apenas retomar o contato com meus pedaços... quero rir sempre, como sempre fiz... e não esquecer os caminhos.
Hoje fiz uma coisa feia! Visitei um blog, fui a uma rua, quebrei uma promessa. Parece letra da Calcanhoto, mas não é. É a minha vida. Repleta de clichês, frases feitas, canções melosas. Mas com uma incrível vontade de acertar.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Em dias de profunda tristeza, costuma-se tomar chá de três ervas calmantes, adoçado com mel de abelha. Abafar com um pano limpo, branco... deixar esfriar um pouco! Em dias de profunda tristeza, tenta-se entender os rumos absurdos, as noites insones, o grito abafado. Por que tão quente? Por que tão vazio?
Na entrada, gérberas e hortências se mostram plenas nessa primavera equatorial... a mãe padece de males antigos, os filhos se agarram a fantasias. O mais velho se fecha. O navio segue na parede azul com vocação de mar. Onde andam teus olhos nessa cidade desgarrada do mundo? Vida e morte, vida e morte... manchando as páginas do jornal.
Na madrugada, Hanna chega cansada e se encolhe, tosse e reclama da umidade. Fala das ausências de Martin. Não gosta de domingos, assim como eu. Parece que o tempo voltou. Novamente aqui, no mesmo lugar, mesma vida... novamente presa. E essa sensação absurda de zumbido, de incômodo, de padecimento...
P.S.: em dias assim, dá vontade de pegar a estrada. Sair do país, da vida inventada... ir ao encontro de quê?
Ao som de Nouvelle Vague, In A Manner Of Speaking.
Na entrada, gérberas e hortências se mostram plenas nessa primavera equatorial... a mãe padece de males antigos, os filhos se agarram a fantasias. O mais velho se fecha. O navio segue na parede azul com vocação de mar. Onde andam teus olhos nessa cidade desgarrada do mundo? Vida e morte, vida e morte... manchando as páginas do jornal.
Na madrugada, Hanna chega cansada e se encolhe, tosse e reclama da umidade. Fala das ausências de Martin. Não gosta de domingos, assim como eu. Parece que o tempo voltou. Novamente aqui, no mesmo lugar, mesma vida... novamente presa. E essa sensação absurda de zumbido, de incômodo, de padecimento...
P.S.: em dias assim, dá vontade de pegar a estrada. Sair do país, da vida inventada... ir ao encontro de quê?
Ao som de Nouvelle Vague, In A Manner Of Speaking.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Cheio de remendos. Pensou e continuou andando, sem lembrar o nome do poema... nunca lembra o nome de qualquer coisa. Continua em plano detalhe aquela angústia fina que vai, vai, vai chegando perto do peito, vai varando, sai rasgando e o sangue pingando de todos os vasos.
Não sabe o que fala, ele diz, não sabe pra quem fala, ele pensa. E ela pergunta de novo, fala do sonho, fala da raiva, volta a pensar em se matar, como sempre nessas horas de vai-não-vai...
Mas não gosta de pensar muito, sabe? Prefere falar. E fala e volta a fazer cena, quase gritando, quase chorando. Volta a fazer as mesmas perguntas e a gesticular. Mas não transgride. Ela nunca passa daquele ponto que separa o indivíduo são do...
Como é mesmo o seu nome? Ele interrompe e finge desconhecer as regras dela, com aquele bom senso calculado. Ele interrompe e pede pra que ela volte. Diz que não era nada daquilo. Diz que naquela hora que não queria, queria mais que nunca.
Ambos fugiram do lugar. Mas sem tomar trem, barco ou avião. Seguiram a pé, cruzando todas as estradas quase num único fôlego, até as invisíveis, proibidas aos que não... mas ela resolveu voltar ao ponto. Aquele.
Quis acreditar que ainda daria tempo. Tinha que dar. Regaria dessa vez as plantas, seu único arrependimento. E também clamaria por vingança na frente do prédio. Recorreria a todos, até aos animais feitos santos. Mas esqueceu de acender o fogo. E se perdeu de vez na prosa caótica daqueles dias.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Descobri que não sou disciplinada por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generosa para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiada e sempre penso o pior, que sou conciliadora para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Hoje acordei com vontade de chorar baixinho, ouvindo música velha e esquecendo o tempo. Memória de imagens bonitas e corriqueiras, daquelas pequeninas, que não valem um solo de guitarra. Não tenho a facilidade de antes para escrever aqui ou em qualquer lugar. Ando, como sempre, vivendo um tempo de bagunça organizada, onde os fatos se sucedem sem muita lógica ou razão de ser. Apenas um dia após o outro e algumas emoções no meio deles. Mas o inferno astral está acabando. Aniversário e virada de ano se aproximam. Quero de volta minha felicidade clandestina.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
É preciso que as coisas percam o sentido now and then. Deixa elas te tocarem.
As coisas andam acontecendo de formas inesperadas e surpreendentes.
Tô sentindo que uma paz de espiríto enorme me transborda a cada novo dia.
Mas ainda me falta algo. Sei lá, queria que essa minha indecisão/indisposição pras coisas, fosse embora logo.
Por que você insiste em encontrar meus caminhos? Perca-se! Já não é a primeira vez que isso acontece e eu saio do sério.
Mudanças ainda estão por vir não é? Então que venham, que me arrebatem e se possível, me levem pra longe.
As coisas andam acontecendo de formas inesperadas e surpreendentes.
Tô sentindo que uma paz de espiríto enorme me transborda a cada novo dia.
Mas ainda me falta algo. Sei lá, queria que essa minha indecisão/indisposição pras coisas, fosse embora logo.
Por que você insiste em encontrar meus caminhos? Perca-se! Já não é a primeira vez que isso acontece e eu saio do sério.
Mudanças ainda estão por vir não é? Então que venham, que me arrebatem e se possível, me levem pra longe.
Assinar:
Postagens (Atom)