segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Minha vida é regada por certezas que me dão forças para estender a minha visão de mundo à todos cantos da minha essência.
Não choro em vão, carrego emoções em tudo que faço.

Choro por alegria em simplismente descobrir que me diferencio de alguma forma.
Sou alheia a arrependimentos e não levo mágoas. Não me preocupo em ser feliz ou infeliz, apenas em ser inteira e amar a vida de um jeito diferente, com meus olhos que a tudo querem absorver e enxergar. Eu apenas amo e me encanto pelas belezas da vida. Observo-a de uma maneira que ela seja a união que apaga tudo que não for amor e tudo que não for luz. É difícil expressar nessa linguagem verbal tudo o que enxergo, o que aprendo. Todos os verbetes soam distantes e grosseiros na tentativa de comunicar o que é incomunicável, já que ao traduzir em palavras perde-se o caráter de sagrado, do divino que é viver e sentir.
Sou mulher, sou filha, sou amante. Passível de erros e julgamentos.
Sujeita à vida e ao amor.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Se tudo pode acontecer...

...pois é... anda acontecendo! Os últimos dias foram repletos de coisas boas e ruins. Beijei, abracei, amei e fui amada nas esquinas e ruas desse lugar tão louco. De onde vem esse meu fascínio por aquilo que desconheço? Nem eu entendo...

Perdão pela mágoa que te causei. Sei que feri você fundo, mas foi totalmente sem intenção, embora isso não sirva como desculpa. Nem quero. É só pra ficar registrado. Ainda estou indignada com minha falta de sensibilidade. Mais uma vez fui desatenta com você e seus sentimentos.

Tô com várias marcas no meu corpo e nenhuma foi feita por quem eu desejo. Ainda lembro... lembro tanto que chega a doer. De você aqui,  de você em mim, das coisas que se desfazem, do meu caminho torto pelos desejos vazios.

Também tô sem internet faz semanas... e nem tenho sentido grande falta. Vivo tanto todo dia que vez-em-quando dói, outras vezes assusta.

Me liga novamente. Adoro ouvir sua voz sussurada no meu ouvido. Adivinho você tentando adivinhar as coisas e percebo que nossos mundos ainda vão se esbarrar... num quarto, num bar, numa galeria.

Lembrando Clarice: me ensina a comprar um buraco?

sábado, 19 de setembro de 2009

Coração em compasso de espera...

A realidade é coisa delicada
de se pegar com as pontas dos dedos.
Um gesto mais brutal, e pronto: o nada.
A qualquer hora pode advir o fim.
O mais terrível de todos os medos.
Mas, felizmente, não é bem assim.
Há uma saída - falar, falar muito.
São as palavras que suportam o mundo,
não os ombros. Sem o porquê, o sim,
todos os ombros afundavam juntos.
Basta uma boca aberta (ou um rabisco
num papel) para salvar o universo.
Portanto, maus amigos, eu insisto:
falem sem parar. Mesmo sem assunto.


Paulo Henriques Britto

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Hoje eu preferia ter acordado sem lembrar do sonho. Esse tipo de memória arranha a minha capa de invisibilidade e deixa à mostra um pedaço de carne, prova definitiva do quanto sou vulnerável.

A mudança ainda não chegou. Está atrasada. E todos os dias rogo por um encontro casual, desses que deixam a perna bamba e a boca pronta para um -oiiii, como vai você?

Mas não quero saber como anda outra vida.  A que roubou a minha sem nenhuma misericórdia.

...acontece que meu coração ficou frio...

Diz Cartola, como que avisando minhas sucessivas mortes. Tento remendar a tal capa. Espécie de fantasia por onde escorre alguns sentimentos para muitos banais. Para mim são quase santos, de tão sacrificados. O quarto está ficando lindo. Tons suaves, móveis sólidos e brancos. Mas a janela não se abre para o mar. É lateral. Um muro confronta minha visão, enquanto paisagens inteiras tomam conta de mim. ... apareça, venha  viver  ao meu lado... Talvez amanhã. Quem sabe?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Não me perturbe com falsos pudores. Prefiro o galanteio barato que vem junto com o ar blasé de quem se habitua a um vício. Não me culpo mais pelas incertezas. Hoje acordei cedo e fiz um chá. Depois inventei um conto sem palavras, todo bordado na minha imaginação. Apaga o cigarro? Tô ficando chata com a maturidade. Confundo nomes, esqueço chaves. Me engano fácil com algumas delicadezas. Só algumas.

Essa noite sonhei que tudo estava diferente. Que a janela havia sido consertada, que as paredes  estavam pintadas de branco como num toque de mágica. Mas acordei com  frio  e a tampa da privada levantada. Isso consegue  me irritar.

Quero voltar a dormir a noite inteira, sem precisar dos comprimidos que me oprimem o corpo todo no dia seguinte. Queria esquecer que existe uma garrafa de gim atrás da estante, onde escondo tantos outros pequenos segredos: uma xícara antiga com a asa quebrada, um  retrato rasgado num momento de fúria e até algumas lágrimas que saíam dos olhos direto para as páginas de certos livros.

domingo, 13 de setembro de 2009

Luiza.

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Hoje conheci a criatura mais doce da Terra.

A  Luiza, a nenêm da foto, é pura  candura, um anjo!

Filha de meus queridos compadres, Jorge e Aline.

E para a homenagem à essa ternura de criança, cantamos pra ela, Luiza do saudoso Tom Jobim.

Alguém acredita se eu disser que ela sorria no meu colo  enquanto o pai dela e eu cantávamos essa música para ela?

Sim, ela sorriu e eu tive mais  um dos momentos inesquecíveis da minha vida.

Seja mais que bem vinda, boneca.

Luiza - Tom Jobim

Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza

Sonhos de Margarina

Eu já tive. Já me vi com uma bela família, em torno da mesa de café da manhã, tal qual mostra o comercial. Mas na vida real os sorrisos harmônicos não são eternos. Aprendi então a comemorar os instantes felizes. Aqueles salvadores, cuja natureza efêmera não permite grandes vôos, muito embora nos deixem quase sempre no céu.

Devo estar pensando nisso, nos tais sonhos, pelo fato de meus amigos estarem todos compromissados ... Certo, certo. Mas tenho alma romântica, gente... como explicar pra mim que passei mais um fim de semana frio  sozinha?

Eu que adoro os jantares a dois, luz de velas e clima de cumplicidade no ar. A roupa de cama limpa e cheirosa, a música de fundo, a promessa de entendimento e de entrega generosa, silenciosa, quase devotada. E daí volto aos sonhos de margarina, ao labrador que ainda não tenho, aos passeios nos finais de semana (existe coisa melhor que ir à livraria acompanhada? Ao cinema?), a uma vida que por mais idealizada que seja pode sim, ser minha... por que não?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ser humano é algo engraçado... você se estrepa, se ilude, tolera as ilusões dos outros também, porque tudo isso faz parte do conjunto, mas pequenez de espírito não é algo relativo... denunciar alguém porque tal pessoa não se submete aos teus caprichos e restrições é realmente prova de miserabilidade em estágio terminal.

Há seres que desejam viver com outros numa pequena ilha, isolados dos demais.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pra não falar de amor...

Hoje eu não quero falar de amor, pensar em amor, lembrar de coisas que um dia se apresentaram como possibilidade de... amor. É que mentira tem perna curta e eu não tô mais a fim de começar tudo de novo, acreditar naquele blá-blá-blá cheio de boas intenções, pra depois terminar em desafeto, falta de cuidado a ponto de: -putz! Não era bem isso que eu queria...

Acho que é porque tá frio e ontem foi ontem. E lembrei de tempos atrás quando eu era capaz de inventar mil surpresas sem a menor vontade de impressionar, apenas pra... ver você sorrir? É isso. Você sorria para dentro. E aquilo me incomodava... por isso eu bolava novas maneiras de encantar, fazer carinho quente bem debaixo da asa esquerda que eu julgava quebrada.

Mas o anel que tu me deste era de areia. A mesma que a gente pisou sem deixar grandes marcas. E isso agora incomoda. Aquela minha total disponibilidade e a sua incapacidade de se deixar amar. Hoje eu vivo olhando o céu, buscando gaivotas mesmo longe do mar.

E fazia versos e tocava violão e me revirava por dentro. Descobria desde a tristeza dos meus olhos até o sonho mais escondido. Desde então nosso brinquedo preferido era fazer-de-conta... "-faz de conta que te amo"... mas hoje eu não quero falar de amor, pensar em amor, lembrar de coisas que um dia se apresentaram como possibilidade de... amor.
Clarice,

Caio Fernando Abreu dizia que tinha vocação para magoar os outros e a si mesmo. Comigo invariavelmente acontece a mesma coisa. Chove a cântaros por aqui. O trabalho continua monótono e eu louca por outra vida. Mas é sempre assim. Deve ser signo, sina. Peixes  parece nunca estar satisfeito com nada. Você sabe disso. Tenho tentado reclamar menos. Já não me lamento como antes. Mas querer dias diferentes e um cotidiano menos maçante é o mínimo que posso pedir. Mas a quem? Aos céus? Ontem retomei a releitura de “A Invenção de Morel”. Amo esse livro. É de uma angústia criativa que nos impele a sair do canto, largar a inércia e tentar mais. Nem que seja alimentando o plano imaginário (coisa que faço tão bem). Ousadia. Foi isso que pensei no dia que decidi largar tudo. Desde então fiz tanta coisa. E isso ninguém me tira. Ter um passado, contar a própria história, tocar nos fatos através de fotografias, cartas, bilhetes, pequenos fragmentos que enchem agendas, caixas, páginas marcadas de livros. E música. Não existe nada que evoque mais a memória afetiva que os fundos musicais que formam a trilha sonora da nossa vida. Vou me embrulhar ao chegar em casa nesse dia de chuva e certo frio. Fazer cabaninha com o edredom e ouvir músicas antigas. Sozinha, mas, dentro do possível, feliz.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não me perturbe com falsos pudores. Prefiro o galanteio barato que vem junto com o ar blasé de quem se habitua a um vício. Não me culpo mais pelas incertezas. Hoje acordei cedo e fiz um chá. Depois inventei um conto sem palavras, todo bordado na minha imaginação. Apaga o cigarro? Tô ficando chata com a maturidade. Confundo nomes, esqueço chaves. Me engano fácil com algumas delicadezas. Só algumas.

Essa noite sonhei que tudo estava diferente. Que a janela havia sido consertada, que as paredes do estúdio estavam pintadas de branco como num toque de mágica. Mas acordei com um frio de sete graus e a tampa da privada levantada. Isso consegue  me irritar. Assim como  aquela omelete única com queijo barato derretido e um quê de cebolinha picada bem fininha.

Quero voltar a dormir a noite inteira, sem precisar dos comprimidos que me oprimem o corpo todo no dia seguinte. Queria esquecer que existe uma garrafa de gim atrás da estante, onde escondo tantos outros pequenos segredos: uma xícara antiga com a asa quebrada, um  retrato rasgado num momento de fúria e até algumas lágrimas que saíam dos olhos direto para as páginas de certos livros.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sim, eu sei. Já percebi.

Voltei a ser confessional. Deve ser influência da Ana, em mais uma releitura angustiada. Acordei com nova bomba familiar nas mãos e essa promete um estrago enorme. Vontade louca de escrever do lado de cá esses cacos de fantasias. E nem preciso seguir muito longe em minhas reflexões para descobrir que me sinto mais feliz quando estou dormindo, já que por lá eu sonho.

Louca pra pegar a estrada de novo, dar um salto... a crise de ontem foi passando aos pouquinhos. Pensei que entraria numas de pânico e tal... mas na hora que a coisa aperta, tenho que me jogar pra cair com os dois pés no chão. Eles não precisam de mim aqui.  Não posso me dar ao luxo de ter crises subjetivas quando a realidade bate na porta com ganas de arrombamento.

Junto com a Correspondência Incompleta, releio Açúcar, livro doce, doce, de Gilberto Freyre. Antropologia da culinária patriarcal nordestina, mais especificamente da minha região, a Zona do Coração. Sinto quase o cheiro dos doces em tachos enormes de cobre... fogo de lenha, morno... vontade de dormir até tarde, adiando as decisões. Vou manter o tom correto do discurso. E depois vou sair de fininho, no meio da noite, antes que alguém me veja...

P.S.: impossível não deixar uma receita do livro Açúcar:

Ciúmes

• 1 libra (500g) de açúcar feito mel em ponto de calda

• 1 coco ralado bem miúdo

• 3 ovos

• 1 quarta (120g) de manteiga lavada

• canela e erva doce, ao gosto

• 1 xícara d'água

• 1 xícara de farinha de trigo

Amassa-se bem a manteiga com o coco, depois os ovos, um a um e o açúcar. Em seguida, tempera-se com a canela, a erva-doce e, por fim, a água, alternando com a farinha.

Estando tudo bem misturado, deixa-se ligar e deita-se a massa em forminhas untadas com manteiga. Temos então os ciúmes, que não devem ser comidos muito quentes, assim como o sentimento.