Eu sempre paro; sempre fico quieta.
Sou uma pessoa absolutamente atormentada. E, por isso, as vezes, não me suporto.
O fato é que nunca consegui entender porque a gente não supera certas coisas.
Mas é a sina.É o preço a pagar por sermos filhos de uma lógica incompleta que defende criadores sem criação.Sequer lembro o dia em que tudo passou a ser desse jeito.
Ando sempre de costas para o mundo.
Minha vida resume-se a uma montanha russa de descasos.
Nada faz sentido.Não me cabe a absolvição, a passividade à vida sem paixão.
Nem que seja paixão pela queda; nem que seja paixão pelo nada.
Eu sou o avesso de eu mesmo e meus olhos queimam em descrenças. Eu já me decepcionei o suficiente com as pessoas pra me importar com o que elas pensam ou não sobre o que sobra de minha vida.
Eu acho que tem muito mais sujeira nas pessoas do que nas calçadas. Sério... Acho mesmo.
É estranho pensar assim. Muita coisa perdeu o sentido pra mim.
E essa perda não foi nada suave.
Enfim...A gente cresce com a idéia de que tem que acreditar em alguma coisa, mas não imagina que a maior certeza de nossas vidas é que essa coisa, qualquer que seja ela, vai ser arrancada da gente sem piedade, ou a gente será arrancada dela.
E é assim que a gente se torna adulto, ou que acaba nossa vida, e que se acaba nossos sonhos.Talvez a resposta de quem seja nós esteja perdida entre a razão e a inocência. Talvez a resposta de quem seja nós seja vazia como o olhar seco entre os lírios. Talvez a resposta não exista. É talvez todo o tempo que buscamos respostas tenha servido apenas para preencher a falta de sentido em abrir portas que sempre levam aos mesmos quartos estéreis.
Talvez usamos respostas falsas para fugir da certeza de que não há nada além do nada... Nada além da busca pela resposta.
Nada além das misérias que se conta entre os olhos que se prendem frente ao espelho.
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