Às vezes descolo do mundo e escorro para dentro de mim. De lá as pessoas se tornam peixes exóticos num aquário. Espécies não irmãs. Descompreendo tudo para tentar um novo entendimento, em busca de uma virgindade do olhar que atinja o espanto que aponta o que o costume encobre. Descolo do mundo para tentar vê-lo por outros lados. Desencaixo-me e reformo-me. Sou-me diversamente. Experimento novos modelos de mim. Desconecto-me do externo para que dele não dependa o chão onde me apóio - meu pé caminha sobre possibilidades, algumas são pedregulhos que chuto, outras são rochedos que escalo. Entro e saio do mundo trazendo o coração nas mãos como um filho cujo choro calo, como monte de neve que carrego pelo deserto, como brasa viva que me queima os dedos.
Às vezes o mundo descola de mim. E o peixe exótico sou eu.
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