te aceito em mim.
Seja-me um pouco, experimenta o mundo com meus olhos e te mostro a poesia que enxergo e como se esconde justamente se expondo no óbvio. Te recito os versos que vejo rabiscados nos muros, num cão que passa, num papel que voa, num toque, na voz de um estranho. No comum, no explícito, no banal e diário procuro o lirismo intrínseco que sempre há (e é suporte dos dias, principalmente os nublados).
Mergulha em mim (mas desvia dos meus seres abissais) e te mostro que sou pedra e onda, sal e sol, fluida e concreta - depende da maré. Te oferto também meu silêncio (presta atenção quando calo), ele te dirá mais sobre a origem do meu verbo que minha boca poderia tentar. Tenta você minha boca. Gosto. Mas não me ofereço desnuda - nunca estou nua de fato, tudo que vivi me cobre a pele e cada gesto sempre. Meu véu. Minha tatuagem (nem sempre visível). E depois dos meus versos, o reverso, e me mostra então como é ser você. Onde teu olho pousa, o que teu ouvido pesca, o que toca tua pele. Onde está tua flor (e o espinho).
Me deixa provar teu mundo e ele então fará parte do meu. Tua experiência comporá meu repertório - escuta, já somos tantas melodias, em cantar encantamo-nos. Casa tua alma com a minha e leva teu corpo por onde quiser. Sejamos sempre dois que se misturam mas não se invadem - penetrações consentidas. Entra em mim bem-vindo e me receba, e assim sejamos muito e mais por sermos ainda e sempre dois - o que te ofereço é soma, e não fusão.
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