Hoje eu preferia ter acordado sem lembrar do sonho. Esse tipo de memória arranha a minha capa de invisibilidade e deixa à mostra um pedaço de carne, prova definitiva do quanto sou vulnerável.
A mudança ainda não chegou. Está atrasada. E todos os dias rogo por um encontro casual, desses que deixam a perna bamba e a boca pronta para um -oiiii, como vai você?
Mas não quero saber como anda outra vida. A que roubou a minha sem nenhuma misericórdia.
...acontece que meu coração ficou frio...
Diz Cartola, como que avisando minhas sucessivas mortes. Tento remendar a tal capa. Espécie de fantasia por onde escorre alguns sentimentos para muitos banais. Para mim são quase santos, de tão sacrificados. O quarto está ficando lindo. Tons suaves, móveis sólidos e brancos. Mas a janela não se abre para o mar. É lateral. Um muro confronta minha visão, enquanto paisagens inteiras tomam conta de mim. ... apareça, venha viver ao meu lado... Talvez amanhã. Quem sabe?
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