quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Caríssima,

como te disse uma vez, vivo de presságios. Essas semanas têm sido corridas, com muita coisa acontecendo. Mas ainda teimo em arranjar tempo de olhar pro céu. E o céu acaba nos contando tantas coisas. Hoje mesmo saí antes das sete da manhã de casa. Céu cinza, nuvens descuidadas.

Em dias assim vêm à cabeça pensamentos esquecidos. Vontade de retomar planos, juntar palavras de dentro e de fora, buscar simplicidade. Não temer as frases feitas nem os sentimentos desencontrados.

Já se permitiu desejos assim, Clarice? De voltar no tempo e aproveitar dele só as coisas boas? De adiantar o tempo e viver nele tudo que for realmente significativo? Olhar para o presente e lembrar de agradecer tudo: plenitude, serenidade, harmonia.

Ando assim. Como esses trovões e relâmpagos do meio da tarde. Tentando lembrar a última vez que me senti realmente amada, desejada, querida. Tentando colar todos os fragmentos e reunir minha história num único enredo: feliz, raro, meu de fato.

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