Me vejo cercada por livros sobre Virgínia Woolf e o Grupo de Bloomsbury. Durmo e acordo mirando sua foto, aos 40 anos, na capa da histórica biografia escrita por seu sobrinho, Quentin Bell, traduzida por Lya Luft para a Editora Guanabara.
Acho que eu tinha 12 anos quando li pela primeira vez... desde então, vez-em-quando, tenho surtos bloomsburianos e releio quase tudo que tenho dela... as cartas íntimas trocadas com Vita Sackeville-West, em volume publicado pela editora portuguesa Colares, a seleção feita a partir de seus diários por José Antonio Arantes e, principalmente, suas ficções (acho que ao todo li seis livros de Virgínia W., mas só nos últimos dias reli Orlando e The Waves, dois dos meus preferidos, junto a The Voyage Out e To the Lighthouse).
Nos últimos tempos li também A Casa de Virgínia W., um misto de ficção e documento escrito por Alicia Giménez Bartlett . Agora estou na metade do volume Bivar na Corte de Bloomsbury, de Antonio Bivar.
Trata-se de um relato delicioso das experiências do brasileiro na Inglaterra durante a Summer School e os festivais, verdadeiras celebrações em torno do grupo, que acontecem em Charleston Farm (foto), reduto de Vanessa Bell e Duncan Grant, a partir de 1916, mas que também abrigou Maynard Keynes, Clive Bell e tantos outros. Oportunidade de conhecer detalhes das peripécias de Lytton Strachey e Dora Carrington, Lady Otoline Morrel, excêntrica e apaixonada, assim como Roger Fry (crítico instigante, autor de Visão e Forma) e mais informações sobre os queridos Quentin e Anne Olivier Bell.
Sim, ando mergulhada na atmosfera de Bloomsbury pra esquecer tanta coisa... doença na família, problemas com o computador, falta de trabalho, pontadas esquisitas no peito cada vez que... depois brinco de casinha inglesa, tomando chá no fim da tarde (mesmo com o calor infernal que faz essa semana) e exercitando certa flêuma necessária em tempos assim, repletos de indefinições. Antes que eu esqueça: o livro de Bivar não trata apenas das impressões de suas temporadas na Inglaterra... através de uma linguagem sempre fiel aos "apontamentos de diário", ele nos apresenta uma série de referências únicas, da literatura às artes plásticas, da geografia e história à gastronomia. Trata-se de um verdadeiro mergulho em águas profundas que me encanta cada vez mais...
olá,
ResponderExcluirbem legal os seus escritos. parabéns pela qualidade do blog.
abs