quarta-feira, 18 de novembro de 2009

tumores emocionais.

Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe.

Talvez tudo, talvez nada.

Esses escritos de Caio mexem muito comigo nesses últimos dias.

Tenho pensado em tanta coisa que me aconteceu, tanta coisa que não aconteceu por que simplismente não quis mais me dar ao luxo de viver uma vida que não é minha. E isso tudo não é ironia, é a minha realidade, que eu preferia que não fosse minha, juro.

Quero voltar a enconstar a cabeça no travesseiro, dormir e sonhar com coisas boas. Ultimamente deito, custo a pegar no sono e quando o faço, tenho sonhos que mais se parecem com profecias que vão se realizar na minha vida, das piores formas possíveis.

Sonho também que estou presa em um quarto minúsculo, onde eu só caibo em pé, e que todas as paredes são brancas.

As paredes, o teto, o chão, minhas roupas, tudo branco, como se eu nunca tivesse visto nada de outra cor, como se meus olhos fossem arder se eu visualizasse outras cores.

Esse sonho doido me deixa com duas impressões. A impressão de que não tenho escolhas e a impressão que estou irremediavelmente, presa a algo que nunca vai mudar, vai ser sempre branco.

Durante o sonho que estou no quartinho, coloco minhas mãos contra a parede, meu rosto cola nela também, mas não sinto calor ou frio. Não sinto nada, e isso me apavora.

Não gosto de não sentir... parece que isso me deixa tão imune, tão nua, tão crua, vulnerável. Morro de medo disso. As pessoas não podem saber o que tenho por dentro, por isso mantenho sempre comigo, minha capa de invisibilidade e tomo sempre o cuidado de ninguém, nunca, em hipótese alguma, consiga  arrancá-la de mim.

Enquanto fico contra a parede, penso que minha vida se transformou mais ou menos nisso. No quarto minúsculo de paredes brancas e tudo o mais que acontece nele. Sem escolhas pra fazer, sem muitas cores diferentes, sem sentir frio ou calor, vivo no marasmo.

Não posso ser uma pessoa forte o tempo todo. Não sou de plástico, por mais que eu seja alegre, bem humorada, tenho os meus tumores emocionais também, e claro, tem dias que eles incomodam mais que o normal.

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