Cheio de remendos. Pensou e continuou andando, sem lembrar o nome do poema... nunca lembra o nome de qualquer coisa. Continua em plano detalhe aquela angústia fina que vai, vai, vai chegando perto do peito, vai varando, sai rasgando e o sangue pingando de todos os vasos.
Não sabe o que fala, ele diz, não sabe pra quem fala, ele pensa. E ela pergunta de novo, fala do sonho, fala da raiva, volta a pensar em se matar, como sempre nessas horas de vai-não-vai...
Mas não gosta de pensar muito, sabe? Prefere falar. E fala e volta a fazer cena, quase gritando, quase chorando. Volta a fazer as mesmas perguntas e a gesticular. Mas não transgride. Ela nunca passa daquele ponto que separa o indivíduo são do...
Como é mesmo o seu nome? Ele interrompe e finge desconhecer as regras dela, com aquele bom senso calculado. Ele interrompe e pede pra que ela volte. Diz que não era nada daquilo. Diz que naquela hora que não queria, queria mais que nunca.
Ambos fugiram do lugar. Mas sem tomar trem, barco ou avião. Seguiram a pé, cruzando todas as estradas quase num único fôlego, até as invisíveis, proibidas aos que não... mas ela resolveu voltar ao ponto. Aquele.
Quis acreditar que ainda daria tempo. Tinha que dar. Regaria dessa vez as plantas, seu único arrependimento. E também clamaria por vingança na frente do prédio. Recorreria a todos, até aos animais feitos santos. Mas esqueceu de acender o fogo. E se perdeu de vez na prosa caótica daqueles dias.
Nenhum comentário:
Postar um comentário