domingo, 25 de abril de 2010

Há tempos não escrevo  desse modo despudorado e íntimo. São reflexos desses dias frios, calmos, sem grandes alardes. Alguns rompimentos de contratos, assinatura de outros. Gosto dessa casa  de enormes janelas, de onde posso ver o céu entrecortado por outros prédios maiores e menores e isso, de algum modo, me lembra você e suas paisagens.

Ando ampla, sem vontade de grandes lamentações ou autopiedade. O meu tempo é hoje, embora continue com a mania de olhar através de frestas. Nesse outro tempo, revejo de soslaio antigos sorrisos e me alegro com belezas que um dia visitaram meu quarto, minha cama, minha vida.

Mas tudo isso também faz parte. Não é assim que acabamos por guardar as memórias mais significativas? Não é por isso que fazemos compotas de frutas raras, que ficam escassas em determinadas estações?

Alguns viraram amigos, outros desapareceram sem que eu jamais os tivesse visto, conhecido. Outros tantos continuam surgindo. Alguns deixam rastros, outros apenas participam calados dessa minha aventura diária. Mas quem de fato está do outro lado da tela? Quem são meus duplos nesse espelho?

Nenhum comentário:

Postar um comentário