Nessa coisa de buscar a verdade, ninguém quer encontrar a do outro. Todos estão brincando de telefone mudo.
Sendo isso, portanto, tudo o que a humanidade anda fazendo solta pelas ruas:correndo da verdade.
Resultado: em mil celulares, mil mentiras. Em mil cadernos culturais, mil unanimidades. Em mil almoços, mil assuntos. Em mil reuniões, mil bobagens. Em mil palavras, mil simbologias. Todos se cagando de medo. Fechados para balanço. Todos com um medo desgraçado de, virando uma esquina, ou uma página, dar de cara com a verdade alheia. Todos com um medo danado de vibrar amor.
Não posso mais roer os nervos enquanto as horas passam e você não aparece. Preciso me poupar. Nem mais pretendo sofrer, depois, quando você sumir de vez. Sofrer por amor é pura vaidade. Vou olhar para retratos meus e, de novo, sentirei orgulho de mim. Fotos minhas antes de você. Quando eu ainda não tinha provado desse seu veneno vicioso. Da saliva que se fez heroína. Do cheiro que se fez lança-perfume.
Deveria ter uma tabela antipaixão como a que fizeram para os tabagistas. Macaríamos um X nas vezes que pensássemos no outro. Assumindo a nossa fraqueza. Contando as horas em que fôssemos capazes de esquecer.
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