Caríssima,
como te disse uma vez, vivo de presságios. Essas semanas têm sido corridas, com muita coisa acontecendo. Mas ainda teimo em arranjar tempo de olhar pro céu. E o céu acaba nos contando tantas coisas. Hoje mesmo saí antes das sete da manhã de casa. Céu azul, nuvens descuidadas.
Em dias assim vêm à cabeça pensamentos esquecidos. Vontade de retomar planos, juntar palavras de dentro e de fora, buscar simplicidade. Não temer as frases feitas nem os sentimentos desencontrados.
Já se permitiu desejos assim, Clarice? De voltar no tempo e aproveitar dele só as coisas boas? De adiantar o tempo e viver nele tudo que for realmente significativo? Olhar para o presente e lembrar de agradecer tudo: plenitude, serenidade, harmonia.
Ando assim. Como esses trovões e relâmpagos do meio da tarde. Tentando lembrar a última vez que me senti realmente amada, desejada, querida. Tentando colar todos os fragmentos e reunir minha história num único enredo: feliz, raro, meu de fato.
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