quarta-feira, 19 de agosto de 2009

fazendo as pases com a (minha) realidade.

Não lembro mais o dia da semana. Lembro ter sentido uma dor enorme. Mas não era no peito. Era uma dor difusa, que nascia na ponta dos dedos e se espalhava pelos braços e pernas até atingir em cheio minha cabeça. Tentei usar a cabeça, ser racional. Tudo que consegui foi desligar o computador e ir pra fora de casa. Queria sair dali o quanto antes. Queria chorar na rua, enquanto não passava ninguém.

Lembro que fui a pé, por um bom tanto.  Um ou outro passante observava minhas lágrimas caindo e meu rosto muito vermelho. Não lembro mais do ano. Mas lembro que era agosto. E  em agosto,  as dores são mais sentidas. Cheguei em casa e tudo que fiz foi tirar a roupa e cair na cama  morna, quase quente. A mesma cama  de antes da perdição.

Pausa. Respiro.

Quase fim de 2009. Resolvo que vou de novo dar um rumo aos meus dias. Chega de descompromisso, de farras homéricas, de infelicidade no trabalho. Chega de saudade. Tenho poucos meses para deixar tudo em ordem: do saldo  ao coração rasgado. Passando pelo novo emprego que  consegui, pela intolerância aos meus chefes imediatos, pelas frases mal-costuradas dos últimos tempos.

Estou ciente de que não sou uma pessoa infeliz. E contente em ter o que tenho diante de um mundo cada vez mais desbotado. Mistério, como diz o Gil, sempre há de pintar por aí... mas quero a sorte de dias mais tranqüilos e menos embaraços na hora de bater de frente com uma promessa concreta de felicidade. Não sou velha. Não sou jovem. Tenho o melhor dos dois mundos (como disse a alguns poucos que me são caros).

Não vou sujar minha barra tentando limpar a sujeira dos outros. Tenho uma lista enorme de motivos pra ser feliz. Vou aproveitar minha energia para partilhar mais, para escrever e-mails a amigos queridos, para conversar horas com minha irmã  ao telefone, para voltar a cozinhar e morrer de prazer com isso. Para escrever, ler, ouvir, ver e sentir como sempre fiz: acreditando tanto na fantasia que ela acaba se transformando em realidade.

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