Impossível ouvir uma música do passado e não lembrar de paisagens e pessoas que ficaram coladas na memória. Hoje não li no ônibus. Resolvi mergulhar na melodia sofrida do Elliott Smith. Mas não é desse bardo encantadoramente triste que eu queria falar. É de uma das músicas do disco A Beira e o Mar, da Bethânia, lançado em 1984. Falo disco porque a primeira versão que tive da obra foi um LP.
A música?
Chama: Pra Eu Parar de Me Doer, do Milton e do Fernando Brant. Como boa parte do repertório, veio de um show antológico da Bethânia chamado A Hora da Estrela, roteirizado e dirigido pelo Naum Alves de Souza. É impossível não enxergar Macabéa e Clarice ao ler a letra e ouvir a sentida melodia. Isso me lembra que eu conheci livro e canção sem saber da ligação entre ambos, tudo no mesmo ano, não é louco?
Ouvi de novo a música ontem, ao baixar o álbum pro player. Fiquei imaginando em como o mundo dá voltas e acaba por não sair do lugar. Em como sou a mesma garota perdida daquele outro tempo, entre serras e noites de lua cheia. Sonhando em acordar uma madrugada e, pulando a janela do quarto, dar de cara com um mundo diferente. Inventado, imaginado.
Mas aprendi que a única forma de criar um mundo novo é dar tempo ao tempo.
Pra Eu Parar de Me Doer
(Milton Nascimento-Fernando Brant)
Mais que a dor do amor
Viver a dor, me doeu
Eu quero mesmo é ser feliz
Amar, amor
Quem não semear,
Não vai colher
Ai, de quem é um
E nunca será dois
Por não saber...
Quem irá me valer?
São pessoas, é a caminhada
Quem irá me valer?
São meus sonhos no pó da estrada
Quem irá me valer?
É o sorriso que guardo comigo
Quem irá me valer?
É o segredo de fazer amigos...
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