sábado, 29 de agosto de 2009

clarice

“Qual é mesmo a palavra secreta?”

Clarice escrevia para entender. Ela precisava se expressar através das palavras para não enlouquecer de vez.

Descobri que às vezes é preciso dizer adeus para finalizar uma história (de amor?). Digo isso porque me ressinto até hoje com uma não-despedida.

Era tarde, era abril, chovia? Já não sei. A memória me trai o tempo todo.  Ultimamente  é cinza quase o ano inteiro, portanto, vamos esquecer o calendário.

De uma lembrança ancestral, porém, nunca me livrei: o medo do escuro. Por isso penso que chorei o suficiente na infância, antes do sono, no escuro do quarto.

Nessas horas qualquer alegria ficava triste. Ainda sinto isso. Quando algo como a felicidade me ronda e eu não consigo alcançar. Desejos apressados (quase raros).

(...)

Não devemos dar margem aos devaneios. É que ando solta e frágil feito papel em ventania. Não tenho porto, parada, não tenho ânimo.

Estou quase um verso soprado.

Já não imagino "dois" como antes. Desde aquele abril, agosto ou será que foi um dezembro? Sem paciência para escrever, desencano das possibilidades de entendimento.

Prefiro concentrar minhas forças na perdição, transformando em parceiro o velho medo do escuro, renovando por dentro os votos de que não preciso mais de nós.

Nem do adeus para chegar ao fim da história.

P.S.: a imagem de Clarice escrevendo me deixou muda (numa felicidade clandestina).

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