Em dias de profunda tristeza, costuma-se tomar chá de três ervas calmantes, adoçado com mel de abelha. Abafar com um pano limpo, branco... deixar esfriar um pouco! Em dias de profunda tristeza, tenta-se entender os rumos absurdos, as noites insones, o grito abafado. Por que tão quente? Por que tão vazio?
Na entrada, gérberas e hortências se mostram plenas nessa primavera equatorial... a mãe padece de males antigos, os filhos se agarram a fantasias. O mais velho se fecha. O navio segue na parede azul com vocação de mar. Onde andam teus olhos nessa cidade desgarrada do mundo? Vida e morte, vida e morte... manchando as páginas do jornal.
Na madrugada, Hanna chega cansada e se encolhe, tosse e reclama da umidade. Fala das ausências de Martin. Não gosta de domingos, assim como eu. Parece que o tempo voltou. Novamente aqui, no mesmo lugar, mesma vida... novamente presa. E essa sensação absurda de zumbido, de incômodo, de padecimento...
P.S.: em dias assim, dá vontade de pegar a estrada. Sair do país, da vida inventada... ir ao encontro de quê?
Ao som de Nouvelle Vague, In A Manner Of Speaking.
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